Hellooooooo!

Eu sou a Teacher Tamie, e hoje eu vou falar um pouco sobre como foi conhecer Nagoya, no Japão.

Sou filha de japonês, e meu pai morava em Tajimi, uma cidade de interior próxima a Nagoya. Fazia mais de 20 anos que eu não via meu pai, então, embarquei nessa jornada para revê-lo e conhecer esse país fantástico que é o Japão.

Acho que o mais legal de viajar para o Japão é que na ida você perde um dia, e na volta você ganha um dia, mesmo passando 24 horas dentro de um avião e algumas horas em escala. Outro ponto interessante é que, apesar do meu pai avisar que o frio de lá é diferente e que os casacos que eu usava aqui no Rio Grande do Sul não seriam suficientes lá, eu não entendia essa diferença de frio. Saí de SP com 35ºC, de blusa de alcinha, um suéter fininho e um casaco que lá é usado na primavera e calça jeans; cheguei em Nagoya, estava 0ºC, sensação de -10ºC e eu com essas roupas. Mas sobrevivi.

De bagagem, apenas roupas íntimas, produtos de higiene pessoal, uma bota quentinha, e dois sets de roupas. Sim, duas “trocas” de roupa. Minha mala era bem pequena para ficar 3 meses.

Continua lendo, para você entender melhor isso tudo.

A cidade

Não tivemos tempo de explorar muito a cidade, mas fomos a lugares que o pai gostaria de me levar, e alguns lugares que eu gostaria de conhecer. Como cheguei direto em Nagoya, já começa aí o pavor/maravilha. Você só vê mar, e o avião vai descendo, e você continua só vendo mar, e o avião vai descendo. Eu, na minha primeira viagem “overseas”, já comecei a pedir a Deus que me ajudasse naquele momento, porque eu não via terra e o avião só descendo, até que pousou. Ufa! Um aeroporto lindo!! E frio.

Como mencionei acima, levei pouca roupa porque o frio do RS é diferente do frio do Japão. Então, algumas roupas a esposa do meu pai me emprestou, minha tia e minhas primas me deram, outras comprei em lojas convencionais, e muitas delas comprei nos brechós. Eu me apaixonei pelos brechós. Gastei relativamente pouco, e saí de lá com muitas peças novinhas, com etiqueta, sem nenhum uso e que tenho até hoje, incluindo calçados e acessórios.

Além de gastar dinheiro, também visitamos alguns pontos turísticos como a Nagoya Tower, localizada no Hisaya Odori Park (que parece um Central Park de New York). Uma torre como qualquer outra, você sobe e de lá é possível ver quase toda a cidade. Acho que ficamos em torno de uma hora, porque eu queria muito deixar cada coisa gravada na minha memória. É lindo! E, lembra o Central Park de New York.

Para saber mais sobre a Nagoya Tower, clique aqui.

Depois de passar um tempo na Nagoya Tower, fomos andar pelo subterrâneo. Meu pai disse que Nagoya era bastante utilizado subterrâneamente, e de fato é. Embaixo desse Hisaya Odori Park existe uma infinidade de lojinhas, lancherias, mercadinhos, muita coisa bacana, e horas de caminhada.

Quando eu falei aos meus amigos que eu estava indo para o Japão, os nerds piraram. Sim, me falaram várias coisas que eu veria e tal, e eu não tinha conhecimento de nada da cultura japonesa nerd. Só sabia que existia um cara chamado Goku, e era isso. Quando falei que passaríamos o sábado em Nagoya, e que meu pai perguntou se havia alguma coisa que eu gostaria de ver por lá, pedi indicações para os amigos. Visitamos duas lojinhas fantásticas e que meu pai e a esposa dele não entenderam muita coisa, mas tudo bem hahaha.

A primeira foi a Gee! Store, 4 andares de muito anime, mangá e tudo o que for relacionado a isso. Uma loucura! Não comprei nada porque nem sabia o que comprar, mas confesso que para quem gosta dessas coisas, é um lugar incrível de se visitar. A segunda loja foi a Mandrake, um pouco menor fisicamente, mas gigante na questão de opções de mercadorias. Tinha de tudo, mas não comprei nada. Fui para apreciar mesmo.

Outro lugar que me fascinou muito em Nagoya foi o espaço coberto, Osu Shopping District. Não é apenas uma rua, aquilo é enorme. Cheio de lojinhas, lancherias, restaurantes, templos, gente de todas as tribos, culinária de todos os cantos do mundo, e tanta coisa pra ver que em uma tarde não deu tempo de ver tudo.

O Castelo de Nagoya

Meu nome é Tamie Oda, mas meu pai dizia que não somos descendentes de Nobunaga Oda. Esse senhor samurai foi um dos responsáveis pelo início da unificação do Japão, e a história dele é bem incrível. Você pode assistir o documentário “A Guerra dos Samurais”, na Netflix para entender melhor.

O Nagoya Castle foi construído, foi meio destruído, e reconstruído. O castelo original tinha estátuas de peixe em ouro maciço. É um lugar incrível!!! Um sítio enorme, com muitas árvores, um espaço aberto que transmite uma paz muito grande. Lá tem restaurante, o que nos permitiu ir de manhã, almoçar e terminar o passeio de tarde. Dentro do castelo funciona um museu que conta a história do Japão. Eu, como não sabia nada sobre a cultura e tradição japonesa antes de ir, aprendi muito nesse lugar, e meu pai como guia turístico (e que foi criado conforme manda a tradição japonesa), definitivamente, foi um diferencial.

A cada parte que a gente entrava, eu lia as placas, e o pai perguntava o que eu tinha entendido e daí ele complementava com o conhecimento que ele tinha. Foi uma experiência incrível e, sinceramente, eu tinha muita vontade de chorar a cada sala e a cada coisa que eu via por lá. Uma riqueza tão grande de detalhes e uma cultura tão maravilhosa que me fascinaram de uma forma inexplicável, que até hoje estão marcados na minha memória.

Nota

Eu não falo japonês, não entendo japonês, não leio japonês. Mas quando estive lá, por 3 meses imersa na cultura, e no idioma, você acaba aprendendo algumas coisas. É inevitável. Mas, o que mais me chamou a atenção é que TODAS as placas que eu vi continham a escrita em japonês, e em “romanji”, e quando estavam em “romanji” elas estavam em inglês. E isso me facilitou muito a vida. Então, quando precisei me localizar em algum lugar e meu pai ou a Noriko não estavam por perto, eu não encontrei dificuldades.

Na hora de conversar, sim, surgiram algumas dificuldades, tendo em vista que nem todo mundo fala inglês. Mas nos lugares turísticos, eles entendiam quando eu perguntava em inglês, e me respondiam em japonês. Às vezes eu conseguia entender, e outras vezes se eu dizia que não tinha entendido, a pessoa me dando informação usava as palavras em inglês que ela sabia, eu juntava e perguntava se era aquilo que eu tinha entendido, daí vinha a confirmação ou negação. E assim passaram 3 meses, e “daijobo”.

Kisses and hugs, Teacher Tamie.